Uma cidade melhor para as pessoas

Editorial Comentários fechados em Uma cidade melhor para as pessoas 67
jan-gehl

Jan Gehl   (Foto: Gene Driskell)

 

Jan Gehl, foi um dos maiores responsáveis por mudar a cara da cidade de Copenhaga, nos anos 60, e fazer dela referência onde o planeamento urbano se concentra totalmente nas pessoas. Especialista na criação de cidades melhores, o arquiteto estuda os aspetos humanos antes de criar projetos de arquitetura, o que o fez criar uma metodologia de planeamento que dá prioridade às pessoas. Famoso por esse tipo de trabalho, ele é um dos profissionais da área mais requisitados do mundo.  O gabinete de arquitetura Gehl Architects, já fez projetos e colaborou com o desenvolvimento de outros, em muitas cidades do mundo

Numa entrevista foi confrontado com o significado de criar uma cidade para as pessoas. Jan, foi direto à questão, já notou que sabemos tudo sobre o habitat ideal dos gorilas, girafas, leões, mas nada sobre o Homo sapiens? Qual o lugar ideal para essa espécie viver? Boa parte dos profissionais que definem o futuro de uma cidade – os arquitetos, urbanistas e políticos – está preocupada com outras coisas. Querem melhorar o trânsito, criar monumentos, pontes, mas nenhum deles tem na agenda o ponto “criar uma cidade melhor para as pessoas viverem”.

E sobre o lugar ideal para o homem viver foi adiantando que certamente não é uma cidade em que se precise passar horas dentro de um carro preso em congestionamentos de trânsito. No seu livro Cities for People (“Cidades para pessoas”), refere o exemplo maior, a cidade de Brasília, onde tudo é grande e com distâncias enormes para percorrer. Onde os monumentos são descomunais e não permitem ser apreciados por essa razão. Não há proporcionalidade, faltam passeios e ciclovias. Sem um carro é impossível viver numa cidade assim.

É fundamental que haja informação sobre como uma cidade pode ser melhor para que a sociedade exija as coisas certas. Enquanto se exigirem mais ruas para os seus automóveis, as cidades vão continuar a crescer no sentido errado. Quando passarem a exigir mais liberdade de locomoção, alguma coisa terá de ser feita.

Mas não é só a este nível que a informação é importante. Apesar de se viver numa era digital, há muitos que não acedem à informação por esses meios. Tudo deve ser equilibrado e coerente. Não são só os eventos lúdicos ou desportivos que devem ser massivamente publicitados. Os nossos políticos locais devem saber que existem pessoas, sim, isso mesmo, pessoas, que tem o direito de ser informadas de tudo que lhes diga respeito, e muito mais daquilo que lhes causa transtorno e desconforto.

Afinal a cidade vive porque tem pessoas, que trabalham para pagar os seus impostos e viver com dignidade. Os idosos, os jovens, os comerciantes, os desempregados, os funcionários de todas as empresas que fazem crescer a nossa cidade, os do próprio município e aqueles que vem de outros locais e aqui trabalham todos os dias, aqueles que da nossa cidade fazem ponto de passagem merecem mais. Muito mais!

Por um pequeno gesto se começam grandes ações. A cidade para as pessoas merece! Cabe a quem decide, saber ouvir e sentir qual é o verdadeiro rumo a tomar.

Nota: só para situar estes parágrafos no espaço e no tempo. A verificar-se novo corte programado de trânsito ou no abastecimento de água à cidade isso deve ser amplamente divulgado. Por exemplo, os comerciantes que aderiram ao “Viver o Comércio” não se vão importar de servir como um dos veículos para a divulgação dessas informações importantes. Afinal é sempre bom recordar que vivemos numa cidade que se pretende “para as pessoas”

Vítor Ventura | vitor.ventura@tve.pt

TVE - Entretenimento e Informação
Prop. Vitor Ventura-Telecomunicações, Lda
Tel. +351 249406858 <> email: geral@tve.pt
tve.pt

Voltar ao topo

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com