Opinião de Nelson Teixeira Batista | Os Bombeiros e a Representatividade

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Hoje assistimos continuamente a discursos, alguns de vários políticos e outros dos ditos representantes dos Bombeiros, em que o mote apresentado é a proteção dos bombeiros e a defesa dos seus interesses… mas será que assim é?

Os bombeiros portugueses pelas suas características de exercerem essencialmente por voluntariado desde sempre descuraram a sua representatividade, uma vez que assumem a sua missão de forma altruísta e abnegada, deixando que o sistema fosse dominado por entidades e seus representantes, em que quando analisamos as suas intervenções, defendem os interesses de muita gente mas menos daqueles que são a razão da sua existência que são os homens e mulheres que integram os Corpos de Bombeiros.

Esta cultura de ausência de representatividade é alargada inclusive a aqueles que exercem esta atividade de forma profissional, que a exceção de alguns, aqueles que pertencem a CB Profissionais, estes são literalmente mão de obra barata ou mesmo escrava, em que em muitos caso trabalham o dobro daquilo que seria aceitável, não porque lhes seja pedido, mas sim porque lhes é imposto por aqueles que gerem os destinos das AHBV, que aproveitando-se desta cultura enraizada nos Bombeiros portugueses, que é o CB e a sua missão acima de tudo incluindo dos seus direitos e família, lhes permite este abuso à vista de todos, mas que ninguém liga.

Por exemplo, se olharmos à sindicalização dos Bombeiros que exercem profissionalmente a sua atividade, verifica-se que somente uma pequena percentagem se encontra sindicalizada, o que contribui para o perdurar do sistema, que na minha opinião tende a agravar-se nos próximos anos, escudado pelo lema da crise, que que é necessário mais esforço porque os recursos financeiros não permitem mais. Mas será que o assim é? É lógico que quanto se fala de estabelecer os direitos laborais nos Bombeiros, toda a gente fica em alerta, porque ai vem problemas, e surge logo a frase ”estes gajos vão lixar a Associação, coitadinha desta”, criando inclusive conflitos entre estes e aqueles que exercem voluntariamente, porque também acham que o facto do seus camaradas serem remunerados tem mais obrigações do que aquele que exerce voluntariamente, esquecendo-se que tal como ele, este remunerado, tem direito a um horário de trabalho e na maioria dos casos, também acaba por dar muito do seu tempo livre a Corporação, ( em alguns casos um horário de trabalho diário de 14 horas acrescido de piquetes como voluntário.. isto é é justo?) trabalho esse que se fosse numa empresa qualquer teria de ser também remunerado, e assim, com base nesta cultura o problema vai persistindo sem solução à vista.

Bom, mas a ausência de representatividade não se aplica somente a aquele que é remunerado, mas também a aquele que é voluntário, uma vez que oferece o seu tempo livre e em alguns casos a sua vida a troco de medalhas “ de cortiça”, em que iludido lá continua a deixar-se literalmente explorar por um sistema que somente alimenta grandes interesses, onde muitos daqueles que se dizem representantes dos bombeiros portugueses vão-se servindo ao longo dos anos, basta ver que nestas ditas entidades basicamente mudam-se as cadeiras e são sempre os mesmos.

Os bombeiros deverão continuar a exercer a sua missão de forma abnegada e altruísta como é apanágio da sua existência, mas se não se quer assistir a desfragmentação deste setor, em que cada vez mais existe dificuldade em recrutar novos bombeiros e de manter o existente, incluindo aqueles que são remunerados, estes terão de cada vez mais que pensar que sozinhos não conseguem mudar o sistema, mas em conjunto tem uma força inabalável, e que algum dia terão de dizer “Basta” e meter um ponto de ordem nisto, uma vez que é a única forma a deixarem de serem vistos como os coitadinhos, mas sim a serem respeitados como Profissionais na sua missão, quer a exerçam profissionalmente quer seja voluntariamente, em que a sua vida nesta função não pode ser somente composta de obrigações mas também de direitos, que em alguns casos nem os mais elementares existem.

Os bombeiros portugueses não podem continuar a aceitar a forma como são usados, e abusados, e tem de perder o medo de que pelo fato de lutarem por melhores equipamentos, por direitos, por condições que permitam um exercício das suas funções de forma adequada e competente não colocam em causa a sua missão, nem da instituição a que pertencem, pelo contrario somente a dignificam, por isso acordem porque senão somente vamos assistir a cada vez mais quartéis vazios, ou AHBV assaltadas por oportunistas que em nada contribuem, mas sim que se servem, nem que seja para acederem a uma panela maior, uma vez que o tacho que possuem é pequeno.

Um abraço a todos aqueles que estão a arriscar a sua vida a proteger o que é dos outros e que deixam de estar com aquilo é o mais importante que é a sua família.

Nelson Teixeira Batista

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